Carlos Ebert

Dib Lutfi

Leonardo Bartucci

Lúcio Kodato

Luiz Paulino dos Santos

Nelson Pereira dos Santos

Pedro Carlos Rovai

Sergio Santeiro

Severino Dadá

Sylvio Back

Walter Carvalho

 

Em 1970, frequentei um ótimo curso de fotografia, o ENFOCO, do Claude Kubrusly – no qual tive a oportunidade de conhecer Maureen Bisilliat, Cristiano Mascaro e Carlos Ebert, entre outros. Apesar de ser efetivado nos jornais O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde – onde o editor era Murilo Felisberto – após a conclusão de um período de estágio, preferi me enveredar pelo cinema.

Comecei como fotógrafo de cena (still) com uma Nikon F – quando o normal era entregar cromos 6x6 –, mas também tinha uma Hasselblad. Fui convocado a 1º assistente de câmera pelo Carlos Egberto, pois a pessoa que havia sido contratada inicialmente preferiu seguir em outro projeto. O nosso foi um dos últimos longas da Vera Cruz: Cordélia, Cordélia, com direção de Rodolfo Nanni. Acabei fotografando a última semana, pois o Egberto teve que retornar aos estudos de cinema em Londres. Assim, a minha iniciação em cinema foi em longa-metragem.

Ao término do filme, fui convidado pelos irmãos Khouri, que dirigiam a Vera Cruz, para participar de Anjo mau (dirigido pelo Roberto Santos) – e que tinha como diretor de fotografia o Hélio Silva (que eu admirava por Rio, 40 graus, O grande momento e A hora e vez de Augusto Matraga) – como still, a despeito do contragosto da equipe de assistentes do diretor, que me consideravam um espião dos Khouri.

Nos primeiros dias de testes de maquiagem, tive a oportunidade de conquistar a confiança do Hélio ao sugerir a utilização do cartão cinza 18%. Propiciaria uma informação mais precisa para o laboratório quanto a solucionar a questão da tonalidade da pele da atriz Adriana Prieto, que tinha uma pele clara, e o Roberto havia imaginado a personagem Açucena mais morena. Eu havia aprendido, com o Claude e o Egberto, a utilizar o cartão como parâmetro.

O 1º assistente de câmera chamava-se Tarzan (um cearense de Icó). Era um sujeito grande e forte. No início, a câmera era uma Newall semelhante à clássica Mitchell, com lentes Baltar da Bausch & Lomb, baterias de caminhão 24 v. Não era fácil subir os morros de Sorocaba e contornar as pedras de Itu.Na segunda semana, após várias interrupções por problemas na câmera, sugeri uma Arri IIC novinha, recém importada pelo Silvio Bastos para a sua produtora de comerciais, a Film Center.

Era uma câmera levíssima e com zoom Angenieux 25x250, o que facilitava as decupagens e a criar planos-sequência longos, com várias marcações de foco e zoom. Foi quando o Tarzan chamou-me e ao Hélio e pediu para que eu assumisse a função de foquista, já que eu conhecia a câmera e que ele já estava cansado e não estava afeito ao novo equipamento.

O Hélio era essencialmente intuitivo, com uma agilidade invejável na concepção da iluminação. Trabalhávamos com equipamentos pesados (Vera Cruz); fresnéis Mole Richardson de 1 kw a 10 kw, arcos voltáicos, du-arc, gerador DC, etc. O dolly era um crab dolly (precursor dos atuais Fischer), com o braço que se movia por manivela. Agitado na sua bermuda (calça jeans cortada), com o maço de cigarros colado com fita crepe na altura da coxa (para que não amassasse quando se sentasse nas três tabelas para operar a câmera), ensinou-me a retirar as telhas das casas para aproveitar a luz solar.

Tinha uma luz maravilhosa, recortada (os eletricistas da época dominavam o manuseio com as bandeiras), além do lado inventivo – me contou das experimentações que havia feito durante as filmagens de A navalha na carne em p&b, com Tri-X puxado, com a câmera na mão e sem iluminação artificial.
Espirituoso ao extremo, me chamou um dia e disparou:
“— Adriana, namora comigo, senão… coloco o rebatedor nos seus closes”.

Era um bon vivant, bebíamos bem: cachaças (era mineiro), cervejas. Após o dia de filmagem, era regra, antes da volta à pousada, parar no bar em frente e jogar longas conversas fora. Certa vez me ensinou uma receita para curar ressaca: “— Lucinho, de manhã chegue na padaria e peça uma lata de salsicha, jogue as salsichas fora e beba a água que sobrou”.


Lúcio Kodato é diretor de fotografia.