Carlos Ebert

Dib Lutfi

Leonardo Bartucci

Lúcio Kodato

Luiz Paulino dos Santos

Nelson Pereira dos Santos

Pedro Carlos Rovai

Sergio Santeiro

Severino Dadá

Sylvio Back

Walter Carvalho

 

Uma coisa que ninguém fala é que o Hélio era um estudioso da pintura. Ele tinha um conhecimento geral de pintura, que ele estudou movido pela paixão pela fotografia. Ele estudava a pintura desde o homem das cavernas – aquela coisa das inscrições, dos desenhos de caçadas –, ele estudava pintura desde esses tempos até Picasso, os modernos, os contemporâneos. O Hélio tinha conhecimento disso, falava muito a respeito disso, da evolução da pintura, da profundidade de campo, do jogo de luzes, do claro-escuro, de artistas como Velázquez, Rembrandt; conhecia as escolas da Europa, da América Latina, Orozco, Diego Rivera; o Hélio era fã desses caras todos. Era apaixonado pelo Pancetti e as paisagens marítimas, adorava a pintura realista do Portinari. O Mário Carneiro me falava que teve vários papos com o Hélio sobre isso.

O Hélio era mais velho, quando o Mário começou, o Hélio já era fotógrafo, já tinha feito no cinema algumas obras-primas do preto e branco. O Hélio era fã do Gabriel Figueroa. Você vê o A hora e vez de Augusto Matraga e percebe isso: aquele céu, aquelas nuvens. Os filmes que ele fez com o Aurélio Teixeira, sobretudo o Três cabras de Lampião, aquilo ali é o Gabriel Figueroa. O conhecimento geral do Hélio Silva era realmente impressionante. Até mesmo o Mário Carneiro, que era pintor e gravurista, tomava verdadeiras aulas de história da arte com o Hélio Silva. Isso o próprio Mário me falou logo depois da morte do Hélio.

Fora isso, era uma pessoa altamente criativa. Você pega, por exemplo, o A navalha na carne, o Hélio inventou uma série de coisas para o filme do Chediak. A história se passa quase toda no quarto com três personagens, a prostituta, o cafetão e a bicha. O Hélio inventou toda uma estrutura pra fotografar naquele espaço pequeno, levantou a câmera, botou roldanas, etc., e quando você vê o filme, você pensa que o espaço ficou gigantesco.

O Hélio Silva, muito tempo antes do steadycam, já tinha bolado um steadycam primitivo, uma aparelhagem que o sujeito vestia e que era um negócio feito de molas e rolimãs. Em lugar de câmera na mão, o fotógrafo vestia essa traquitana. Ele calculou tudo – como ele estudou química, engenharia, isso pra ele era fácil. Ele chegou até a tentar levantar uma grana pra essa invenção, mas os produtores de cinema daqui só sabem comer o dinheiro dos cofres públicos, não têm visão pra esse tipo de coisa. A visão dos produtores do Brasil é muito curta: é o imediato, é comer a grana e superorçar mais e mais e mais. Como a falência e a indigência mental desse pessoal é grande, eles têm medo do cinema de baixo orçamento criativo, do cinema barato da turma jovem, que é o cinema que está pensando e ousando. Os eternos coronéis, os donos das “sesmarias cinematográficas”, têm uma ganância gigantesca e uma criatividade muito curta.


Severino Dadá é montador, editor de som e diretor.