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Severino Dadá |
O Hélio era mais velho, quando o Mário começou, o Hélio já era fotógrafo, já tinha feito no cinema algumas obras-primas do preto e branco. O Hélio era fã do Gabriel Figueroa. Você vê o A hora e vez de Augusto Matraga e percebe isso: aquele céu, aquelas nuvens. Os filmes que ele fez com o Aurélio Teixeira, sobretudo o Três cabras de Lampião, aquilo ali é o Gabriel Figueroa. O conhecimento geral do Hélio Silva era realmente impressionante. Até mesmo o Mário Carneiro, que era pintor e gravurista, tomava verdadeiras aulas de história da arte com o Hélio Silva. Isso o próprio Mário me falou logo depois da morte do Hélio. Fora isso, era uma pessoa altamente criativa. Você pega, por exemplo, o A navalha na carne, o Hélio inventou uma série de coisas para o filme do Chediak. A história se passa quase toda no quarto com três personagens, a prostituta, o cafetão e a bicha. O Hélio inventou toda uma estrutura pra fotografar naquele espaço pequeno, levantou a câmera, botou roldanas, etc., e quando você vê o filme, você pensa que o espaço ficou gigantesco. O Hélio Silva, muito tempo antes do steadycam, já tinha bolado um steadycam primitivo, uma aparelhagem que o sujeito vestia e que era um negócio feito de molas e rolimãs. Em lugar de câmera na mão, o fotógrafo vestia essa traquitana. Ele calculou tudo – como ele estudou química, engenharia, isso pra ele era fácil. Ele chegou até a tentar levantar uma grana pra essa invenção, mas os produtores de cinema daqui só sabem comer o dinheiro dos cofres públicos, não têm visão pra esse tipo de coisa. A visão dos produtores do Brasil é muito curta: é o imediato, é comer a grana e superorçar mais e mais e mais. Como a falência e a indigência mental desse pessoal é grande, eles têm medo do cinema de baixo orçamento criativo, do cinema barato da turma jovem, que é o cinema que está pensando e ousando. Os eternos coronéis, os donos das “sesmarias cinematográficas”, têm uma ganância gigantesca e uma criatividade muito curta.
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