Carlos Ebert

Dib Lutfi

Leonardo Bartucci

Lúcio Kodato

Luiz Paulino dos Santos

Nelson Pereira dos Santos

Pedro Carlos Rovai

Sergio Santeiro

Severino Dadá

Sylvio Back

Walter Carvalho

 

Quando cheguei ao Rio ainda na década de sessenta, o meu primeiro trabalho em cinema foi como fotógrafo de cena, eu fazia o still de um longa-metragem. O filme era O sósia da morte, dirigido por João Ramiro Mello, e o diretor de fotografia era o grande Hélio Silva.

Procurei o Hélio ainda na preparação e me apresentei dizendo ser irmão de Vladimir Carvalho, que o conhecia, e que trazia o abraço dele. Pensei que podia, dessa forma, me aproximar, e foi assim que travei o primeiro diálogo com o fotógrafo do filme. Fiquei amigo do assistente dele e do assistente de direção Carlos Del Pino, um encontro para o resto da vida, até hoje um grande amigo.

Daí em diante, procurei entender o trabalho do fotógrafo: como ele comandava sua equipe, como era o diálogo com a direção e, sobretudo, como pensava a cena e de que forma resolvia a construção da luz.

Foi observando o trabalho de Hélio Silva e de João Ramiro que percebi a importância do diretor de fotografia ao lado do diretor; o quanto era importante a afinidade entre eles. Entendi rapidamente a importância da câmera como uma ferramenta narrativa fundamental no desenvolvimento da história e na construção de seus personagens. Perguntava o porquê da colocação dos refletores naquela posição, que tipo de gelatina e por que o uso dos difusores. Hélio Silva, pacientemente, me explicava os detalhes técnicos.

Um dia, depois de horas conversando sobre lentes e tendo explicações detalhadas sobre a câmera, falamos bastante sobre a convivência e a escolha de negativos que ele estava utilizando para aquele filme. Daí em diante, comecei a anotar e a desenhar cena por cena, numa tentativa de guardar uma memória do trabalho como fonte de consulta e aprendizado. Eu estava ali para fazer um trabalho profissional assalariado, contratado, mas na verdade estava aprendendo, foram minhas primeiras aulas num filme de ficção, e com direito a participar e a conviver com todos os departamentos de um filme.

E durante muito tempo, já como praticante de fotografia de cinema, lembrava sempre daquele cuidado e do rigor com que o Hélio Silva preparava a luz de cada sequência. Como um pintor da luz, escrevendo com os refletores a atmosfera de cada momento, generosamente ele me explicou todos os detalhes, todas as nuances da iluminação. Às vezes, pensava que nunca saberia o que fazer com a luz, por onde começar o trabalho de iluminação de uma cena, mas Hélio foi o primeiro a me encorajar, lembrando que o melhor caminho era sempre o da simplicidade, com rigor e determinação. Voltava da filmagem para casa sempre com alguma coisa martelando na cabeça, e com a maior expectativa para o dia seguinte. E a cada dia que passava, aprendia sempre alguma coisa nova.

Essas foram, sem dúvida, as melhores aulas que tive antes de me encontrar com Fernando Duarte e Roberto Maia, meus professores e amigos do cinema e da fotografia.

Cada um, à sua maneira, me ensinou, definitivamente, os primeiros passos para a vida que levo até hoje: a de fotógrafo de cinema.


Walter Carvalho é diretor de fotografia e cineasta.