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Walter Carvalho |
Procurei o Hélio ainda na preparação e me apresentei dizendo ser irmão de Vladimir Carvalho, que o conhecia, e que trazia o abraço dele. Pensei que podia, dessa forma, me aproximar, e foi assim que travei o primeiro diálogo com o fotógrafo do filme. Fiquei amigo do assistente dele e do assistente de direção Carlos Del Pino, um encontro para o resto da vida, até hoje um grande amigo. Daí em diante, procurei entender o trabalho do fotógrafo: como ele comandava sua equipe, como era o diálogo com a direção e, sobretudo, como pensava a cena e de que forma resolvia a construção da luz. Foi observando o trabalho de Hélio Silva e de João Ramiro que percebi a importância do diretor de fotografia ao lado do diretor; o quanto era importante a afinidade entre eles. Entendi rapidamente a importância da câmera como uma ferramenta narrativa fundamental no desenvolvimento da história e na construção de seus personagens. Perguntava o porquê da colocação dos refletores naquela posição, que tipo de gelatina e por que o uso dos difusores. Hélio Silva, pacientemente, me explicava os detalhes técnicos. Um dia, depois de horas conversando sobre lentes e tendo explicações detalhadas sobre a câmera, falamos bastante sobre a convivência e a escolha de negativos que ele estava utilizando para aquele filme. Daí em diante, comecei a anotar e a desenhar cena por cena, numa tentativa de guardar uma memória do trabalho como fonte de consulta e aprendizado. Eu estava ali para fazer um trabalho profissional assalariado, contratado, mas na verdade estava aprendendo, foram minhas primeiras aulas num filme de ficção, e com direito a participar e a conviver com todos os departamentos de um filme. E durante muito tempo, já como praticante de fotografia de cinema, lembrava sempre daquele cuidado e do rigor com que o Hélio Silva preparava a luz de cada sequência. Como um pintor da luz, escrevendo com os refletores a atmosfera de cada momento, generosamente ele me explicou todos os detalhes, todas as nuances da iluminação. Às vezes, pensava que nunca saberia o que fazer com a luz, por onde começar o trabalho de iluminação de uma cena, mas Hélio foi o primeiro a me encorajar, lembrando que o melhor caminho era sempre o da simplicidade, com rigor e determinação. Voltava da filmagem para casa sempre com alguma coisa martelando na cabeça, e com a maior expectativa para o dia seguinte. E a cada dia que passava, aprendia sempre alguma coisa nova. Essas foram, sem dúvida, as melhores aulas que tive antes de me encontrar com Fernando Duarte e Roberto Maia, meus professores e amigos do cinema e da fotografia. Cada um, à sua maneira, me ensinou, definitivamente, os primeiros passos para a vida que levo até hoje: a de fotógrafo de cinema.
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